E é assim

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Poderia ser poético, ao estilo ”Hoje eu me olhei no espelho…”. Mas é honesto: Hoje me olhei por dentro e senti medo.

Senti frio. Senti um vazio. Abri os olhos, e não quero a escuridão das órbitas que beiram o abismo. Este também é chamado de alma, mas abrigo um caso desesperador dentro de mim. Não o compreendo.

O que pode ser mais forte do que o amor? Nada: quatro letras, uma imensidão. Este amor deixou-me em ruínas. Este amor é o meu fascínio. Este amor é o remédio. Este amor é a saída do labirinto. Minhas criações são dádivas do desleixo, pois não o tenho aqui. Visite-me, amor, estarei  nas lágrimas e meio sorrisos.

Um dia conheci um novo desejo. Este causa arrepios, preenche-me e fala com as mais diferentes vozes. Está em mim, quando quero. Quando não, nem o vejo. Ele chega, se faz poesia e desfaz-se em uma nota. Em meu canto, não discuto, só escuto o que ele fará de mim. Então seu som vira na esquina da esperança e vejo-me em um refrão. Repetidamente.

Um dia descobri-o: música. Seis letras, porém, é algo muito superficial. Depara-se com aquilo que o muda, que se modifica e traz harmonia, então decides que irá colocar um nome? Á mim, isso não existe. Notas são melhores que letras, números. Notas choram, abraçam, estapeiam, matam. Notas vivem. Letras e números ficam enfileirados, esperando por serem lidas, por serem sofridas, amadas ou mortas. Tenho dó.

Um dia, em minha estante, um mundo suplicava. As tais árvores mortas precisam de um carinho. Assim, abri o livro. Pequenas, milimétricamente espaçadas, com medo. Quando a folha passa, coitadas, são trocadas. Não quero ser o manequim, o molde cujas ideias se tornam obsoletas. Então, me lembrei: sou o nada.

Um dia, em um violão, governei um mundo. Apertei-o em suas rédeas, mas foi delicada ao tirar de lá suas sensação. Entendi a gentileza da madeira e do aço. Se eu os tivesse com cuidado, me dariam um abraço. O fiz e quis mais. Embolei-me em suas armadilhas. Agora, o violão dizia a todos como sou, mas eu o ajudei.

Descobri que esta é a música. Descobri que música é o amor. Descobri que o amor está nas letras. Então, há amor na dor. Descobri a obediência das páginas e a loucura dos versos. Descobri que quero ser o som para pular das linhas e folhas quando essas forem viradas. Descobri que quero ser  letra para ser forte quando eu precisar fugir dos refrãos, mesmo quando podia estar no refrão, mesmo que eu ame os refrãos. Descobri que se é amor, logo música e, portanto, letra. E serei o amor meu. Irei escrever-me, construir-me, manter-me firme. Irei recriar-me, sentir-me e preencher-me.

Sou abismo. Posso ser cor, sabor, som, dor, letra, ódio, número, competência, poesia, irreverência, notas, sensações. Posso ser amor. Mas, antes, não serei o nada. Não serei nojo.

Michelle Coelho

E aí, o que acharam? Desejam mais posts assim? Sugestões? Falem para mim nos comentários ou no twitter. Espero que gostem *-*

Beijos, micoelho

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