Durante a chuva de inverno

O cachorro observava tristemente seu dono partir, naquela tarde de inverno. Por mais chocante que fosse para o desolado animal, poucos ali repararam sua presença, muito menos sua infelicidade. Com um certo descaso, a multidão continuava a ocupadíssima rotina, correndo de um lado para o outro. Ao mesmo tempo, um ser vivo, como os outros, sofria o cessar das aventuras de uma vida inteira. Ninguém ali, naquele frio pedaço de asfalto molhado, notou o cão. E não somos assim? Não é verdade que preferimos o que não nos causa diferença em nossas vidas, sempre tão cheias de afazeres? Todos não se aventuram mais como antes, desde seus próprios momentos de despedida. A partir daí, tudo muda. As cores, os cheiros e os choros são apenas algo a parte, não importa e não fará mal esquecê-los. Talvez o egoísmo agora seja válido e talvez seja assim que muitos se protejam contra as lembranças mais inocentes, aquelas que ainda tem importância, porém devem ser esquecidas. Aliás, sempre terão.

Aquele outro rapaz que apareceu na calçada notou o cão. Notou, também, seus sinais de tristeza e solidão. Era assim que se sentia o menino, da mesma maneira que o animal. Não lhe ocorreu nenhum mal ser diferente do resto que ali estava. Ela pegou o cachorro e levo-o consigo em uma caminhada.

Michelle Coelho

E aí, já viu algo assim? Como se sentiu? Tem alguma história urbana? Quer sugerir algo? Fale para mim nos comentários ou no twitter. Espero que gostem *-*

Beijos, micoelho

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